terça-feira, 8 de julho de 2008

A úmida Lei Seca

Tenho visto com bons olhos a tão polêmica Lei Seca, acredito que assim como eu, milhares de brasileiros tem comemorado a diminuição anunciadas pelos meios de comunicação, acerca dos acidentes gerados por motoristas inescrupulosos nos volantes de seus veículos.

A imprensa diariamente tem noticiado que várias multas têm sido aplicadas, além das detenções, mesmo que temporárias. Porém gostaria de estar mais feliz com a legitimidade desta lei e sentir-me-ia em estado de graça se a fiscalização ora noticiadas, acontecessem em todos os locais, onde o consumo de bebidas alcoólicas está presente e em dosagens bem superiores ao que se é permitido.

Por mais utópico que isso possa parecer, e aí nomeiem como quiserem... os campos de atuação das fiscalizações deveriam ser bem mais amplos, ou melhor, mais específicos.
Assim como a quantidade de bafômetros presentes nos locais onde as ocorrências se mostram superiores, se é que de fato estamos preocupados com a vida humana.

Alguns devem estar se perguntando, por que escrevo sobre este tema, tendo em vista que inúmeros meios de comunicação têm tratado deste assunto? O fato é simples! Sou morador da região de Interlagos, e no último domingo (06 de julho), aconteceu a tão famosa Fórmula “Truck” que segundo alguns só perde para a Fórmula 1. De acordo com meus conhecimentos este evento é caríssimo, movimentando várias empresas do gênero automobilístico e conseqüentemente milhares de Reais.

Nossa região estava um caos, vias modificadas com ruas interditadas, helicópteros subindo e descendo, carros e ônibus por todos os lados, um verdadeiro estado de sítio. Alguns fatos me chamaram a atenção, sendo eles a grande presença de policiais nas ruas, CET (Cia de Engenharia de Tráfego) em peso, só faltou o exército, era até difícil mensurar o número de efetivos por metro quadrado! Até aí tudo bem! Segurança nunca é demais! Porém, em dias comuns este mesmo efetivo some!

A festa pelo que sei, foi um sucesso! Haja vista os fatos acima citados e a grande movimentação dentro e fora do Autódromo.

No dia seguinte, segunda-feira (07 de julho), como de costume, pela manhã fui caminhar no Autódromo, assim como muitos moradores fazem. Mas, para meu espanto, as surpresas não terminaram, pois, a cada dois metros lá estava uma tenda com o de uma das mais famosas cervejas vendidas no Brasil... aquela com o nome de uma cidade... e que nos seus comerciais apresentam lindas mulheres “apreciando” da “tão saborosa bebida!” Fiquei a pensar... o quanto desta bebida fora consumida no dia anterior, e certamente várias mulheres gostosas... (pelo menos é o que os comerciais indicam...).

Só não foi possível contabilizar a quantidade consumida, pois as latinhas, naquele momento já deveriam estar sendo recicladas, graças a ação motivada pela miserabilidade dos nossos catadores de latas e papéis.
Os mesmos só não foram capazes de apagar a tamanha sujeira deixada após o evento e que deixou o autódromo num verdadeiro lixão.

Pus-me a pensar... Na tão divulgada Lei Seca! E questionei-me... O que fizeram com ela? Pois como dito anteriormente o número de motoristas era bem superior aos transeuntes.
Será que usaram bafômetro para todos os motoristas, ou melhor, os resultados sinalizados pelos mesmos foram inferiores ao permitido pela Lei? Ou como diria aquele velho ditado “Fecharam os olhos e a coisa correu solta!”.

Irei um pouco além, será que por se tratar de um evento patrocinado por marcas poderosíssimas, o famoso jargão utilizado pela comediante global, personificada em doutora diria: “neste dia, BEBER PODE!”
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