domingo, 3 de junho de 2012

SHAME (2011), O FILME



        
            Ao assistir este filme, onde o personagem principal Brandon, interpretado por Michel Fassbender, se vê compulsivamente escravo do sexo, fazendo do mesmo uma válvula de escape para suas dificuldades em relacionar-se, criar vínculos afetivos e com isso, quem sabe ter paz interior, nos convida a refletir quantos Brandons existem espalhados pela nossa sociedade.
           
         Lidar com uma sexualidade desordenada, compulsiva, que foge dos “padrões” não é fácil, alguns poderão dizer que esta minha dissertação é moralista, mas não, essa não é a minha intenção. Contudo avalio Brandon como escravo dos seus próprios desejos, e da falta de limite por ele não encontrada em satisfazê-lo, chegando a se transformar numa doença.

O que esconde esta compulsão, o que causou esses comportamentos? Se é que teve causas. É bem verdade que o filme aponta apenas uma possibilidade, “a dificuldade em estabelecer relações afetivas com mulheres”. Mas será que é só isso?

Outro fato interessante é que este homem não se dá conta do grande mal que assola sua alma, pelo menos nas primeiras cenas do filme.

Se analisarmos bem o filme, o personagem não se relaciona com nenhuma mulher, sem olhar para elas como um “objeto sexual”, onde ele deve possuí-las a qualquer preço, como um predador feroz, com a única finalidade de satisfazer os seus mais tórridos desejos. Até sua irmã passa ser algo perigoso para ele, pois o medo do incesto o assola, seria a explosão, a consumação do seu descontrole e da falta de limites.

Não entrarei nos conflitos vividos por sua irmã, porque esta também é vitima de suas próprias mazelas depressivas.

Este homem tenta desesperadamente livrar-se desta compulsão, jogando fora tudo que pertence a este universo e que contribui para este desvio comportamental, do qual ele é escravo, e a principal vitima.

Nesta parte do filme, ele começa a perceber este mal de alma, mas que sem energia suficiente de contenção continua a exercer sua compulsão. 

O que este homem não consegue entender que é válido livrar-se dos instrumentos externos que de certa forma o aprisiona, mas que antes de tudo é preciso trabalhar com os elementos endógenos que alimentam esta compulsão. Só que para o sucesso desta empreitada, faz se necessário ajuda de profissionais competentes na área. Porém quando não nos sentimos doentes fugimos de qualquer intervenção.

Pensando ter resolvido seus problemas, e com a possibilidade, ou a tentativa de estabelecer uma relação afetiva com uma mulher, no momento intimo dos dois, o personagem que com tanto ímpeto devora suas presas, se vê impotente, frágil, pois não consegue consumar o ato sexual de uma forma diferente da qual esta acostumado a fazer. Deixando assim sua parceira sem saber como lidar e compreender com o fato ocorrido.

Outro aspecto sofrível na vida deste homem é a tentativa promovida por sua irmã em estabelecer, resgatar um sentimento de cumplicidade e afetiva entre os dois, dado o grau de parentescos.
 Essa atitude não lhe é compreensível, pois se sente encurralado, usando inclusive a agressividade como uma forma negativa de expressar qualquer tentativa de mudança comportamental.

Brandon, é escravo de si mesmo, é o seu verdadeiro algoz. Não se trata de uma pessoa má, sem sentimentos, haja vista sua emoção ao ver sua irmã cantar, e ao se preocupar com a mesma no episódio com seu chefe, ele não queria vê-la na sua mesma condição.

Seus comportamentos característicos de uma pessoa antissocial, lhe trazem “VERGONHA”, o que futuramente apesar de não ser esta a intenção do filme causar-lhe-á várias conseqüências, entre elas: a depressão e a própria morte.

A tentativa de suicídio da irmã, o desespera, mas também não é forte o suficiente para aplacar os seus sórdidos desejos, tomo por base o final do filme e a sua obsessão em pegar o mesmo vagão do trem.

Os Brandons espalhados em nossas sociedades precisam de ajuda, de profissionais das áreas psiquiatras e psicológicas, para que possam traças e canalizar suas energias de forma diferente.

Sabemos também o quão difícil é identificar esses Brandons em nossas caminhadas, pois eles estão espalhados por todos os cantos, até mesmo dentro de nossas casas.

Convido a todos a assistirem este filme, não com um olhar moralista, mas com um olhar de solidariedade, para com alguém que precisa de ajuda, antes que seja tarde demais.

Professor Flavio Costa




0 comentários:

Postar um comentário

NetworkedBlogs

Seguidores

Total de visualizações de página