Ao assistir este filme, onde o personagem principal Brandon, interpretado por Michel
Fassbender, se vê compulsivamente escravo do sexo, fazendo do mesmo uma válvula
de escape para suas dificuldades em relacionar-se, criar vínculos afetivos e
com isso, quem sabe ter paz interior, nos convida a refletir quantos Brandons existem
espalhados pela nossa sociedade.
Lidar com uma sexualidade
desordenada, compulsiva, que foge dos “padrões” não é fácil, alguns poderão
dizer que esta minha dissertação é moralista, mas não, essa não é a minha
intenção. Contudo avalio Brandon como escravo dos seus próprios desejos, e da
falta de limite por ele não encontrada em satisfazê-lo, chegando a se
transformar numa doença.
O que esconde esta compulsão, o que causou esses comportamentos?
Se é que teve causas. É bem verdade que o filme aponta apenas uma
possibilidade, “a dificuldade em estabelecer relações afetivas com mulheres”.
Mas será que é só isso?
Outro fato interessante é que este homem não se
dá conta do grande mal que assola sua alma, pelo menos nas primeiras cenas do
filme.
Se analisarmos bem o filme, o personagem não se
relaciona com nenhuma mulher, sem olhar para elas como um “objeto sexual”, onde
ele deve possuí-las a qualquer preço, como um predador feroz, com a única
finalidade de satisfazer os seus mais tórridos desejos. Até sua irmã passa ser
algo perigoso para ele, pois o medo do incesto o assola, seria a explosão, a
consumação do seu descontrole e da falta de limites.
Não entrarei nos conflitos vividos por sua irmã,
porque esta também é vitima de suas próprias mazelas depressivas.
Este homem tenta desesperadamente livrar-se desta
compulsão, jogando fora tudo que pertence a este universo e que contribui para
este desvio comportamental, do qual ele é escravo, e a principal vitima.
Nesta parte do filme, ele começa a perceber este
mal de alma, mas que sem energia suficiente de contenção continua a exercer sua
compulsão.
O que este homem não consegue entender que é
válido livrar-se dos instrumentos externos que de certa forma o aprisiona, mas
que antes de tudo é preciso trabalhar com os elementos endógenos que alimentam esta
compulsão. Só que para o sucesso desta empreitada, faz se necessário ajuda de
profissionais competentes na área. Porém quando não nos sentimos doentes
fugimos de qualquer intervenção.
Pensando ter resolvido seus problemas, e com a
possibilidade, ou a tentativa de estabelecer uma relação afetiva com uma
mulher, no momento intimo dos dois, o personagem que com tanto ímpeto devora suas
presas, se vê impotente, frágil, pois não consegue consumar o ato sexual de uma
forma diferente da qual esta acostumado a fazer. Deixando assim sua parceira
sem saber como lidar e compreender com o fato ocorrido.
Outro aspecto sofrível na vida deste homem é a
tentativa promovida por sua irmã em estabelecer, resgatar um sentimento de
cumplicidade e afetiva entre os dois, dado o grau de parentescos.
Essa
atitude não lhe é compreensível, pois se sente encurralado, usando inclusive a
agressividade como uma forma negativa de expressar qualquer tentativa de
mudança comportamental.
Brandon, é escravo de si mesmo, é o seu
verdadeiro algoz. Não se trata de uma pessoa má, sem sentimentos, haja vista
sua emoção ao ver sua irmã cantar, e ao se preocupar com a mesma no episódio
com seu chefe, ele não queria vê-la na sua mesma condição.
Seus comportamentos característicos de uma pessoa
antissocial, lhe trazem “VERGONHA”, o
que futuramente apesar de não ser esta a intenção do filme causar-lhe-á várias
conseqüências, entre elas: a depressão e a própria morte.
A tentativa de suicídio da irmã, o desespera, mas
também não é forte o suficiente para aplacar os seus sórdidos desejos, tomo por
base o final do filme e a sua obsessão em pegar o mesmo vagão do trem.
Os Brandons espalhados em nossas sociedades
precisam de ajuda, de profissionais das áreas psiquiatras e psicológicas, para
que possam traças e canalizar suas energias de forma diferente.
Sabemos também o quão difícil é identificar esses
Brandons em nossas caminhadas, pois eles estão espalhados por todos os cantos,
até mesmo dentro de nossas casas.
Convido a todos a assistirem este filme, não com
um olhar moralista, mas com um olhar de solidariedade, para com alguém que
precisa de ajuda, antes que seja tarde demais.
Professor Flavio Costa





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