Estar bem com Deus
Nenhum ser humano, na face da Terra, “crente”, e aqui o
verbo é crer, indiferentemente da sua posição social, financeira e religiosa, pode
dizer: “Eu estou bem com Deus”. Tal afirmação nos direciona para um caminho
inverso àquele presente nas grandes religiões, não citarei nenhuma, pois
respeito às manifestações religiosas escolhidas pelas pessoas para
relacionar-se com Deus.
“Estar de bem Deus”, implicitamente seria o mesmo que dizer,
“Sou perfeito”, e nessas condições negaríamos a necessidade que temos da misericórdia,
e do Amor Celestial.
O engajamento religioso, ou não, de forma alguma nos impede
de ter problemas, sejam eles de qualquer natureza, ou de cometermos atrocidades
horríveis, inclusive em nome da fé que manifestamos.
Reconhecer-se “pecador”, e aqui não quero usar essa palavra
no sentido mais nefasto que muitos usam, para separar um grupo e se manter fora
dele, é ter noção das suas limitações humanas, dos seus conflitos, das suas
atitudes, do emaranhado complexo que é o ser humano.
A pergunta a se fazer, isso no meu ponto de vista, nas
minhas concepções seria: Estou bem com o meu próximo?
Tenho dado que sentido a minha vida?
As minhas atitudes melhoram as relações sociais no ambiente
em que estou inserido, ou somente me trazem satisfação pessoal e realização egocêntricas?
Este é o grande desafio do “Estar bem com Deus”, fazer da
sua vida, não um trampolim para seus desejos mais profundos, mas um viver com o
outro, para o outro. Isso requer renúncias, tão grandes interiormente que às
vezes não temos noção.
Viver é renunciar diariamente várias coisas, às vezes tão
pequenas que nem mesmo percebemos, mas que se faz necessário. Haja vista, uma
mãe. Como esta pessoa maravilhosa renuncia a sua vida em função de um filho.
Quero em primeiro lugar “estar bem com o meu próximo”, para
quem sabe poder “estar bem com Deus”.
Flavio Costa.

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