Assistindo ao programa do Jô Soares, tive o enorme prazer de vê-lo entrevistando o ex-padre Dalcides Biscalquim.
Dalcídes, ainda jovem, com apenas quinze anos entra para o seminário e passa treze anos se preparando para o grande dia da sua ordenação sacerdotal. Dia importantíssimo para aqueles que se sentem chamados ao vocacionado sacerdotal. Penso que esse dia deve ter sido, um dos mais felizes de sua vida.
Com muito zelo e fidelidade a Igreja viveu seus dez anos de sacerdócio com muito vigor e entusiasmo. Nesse período se destaca dado ao seu talento musical, a sua simplicidade, ao seu amor pelo oficio que exercia.
Gravou CDs, escreveu livros, celebrou missas, fez diversas pregações e palestras, viajou para diversos estados brasileiros e outros países, enfim era bem sucedido. Seus valores, suas bases eram sólidas.
Todavia, apesar de todo esse trabalho, Dalcídes trazia consigo um grande conflito. No seu interior crescia de fórmula não silenciosa, mas latente o desejo de ter uma família, com esposa e filhos a sua espera.
Lidar com esse conflito não deve ter sido fácil, afinal ele havia feito uma promessa de servir a Igreja, de viver para o povo e com o povo, de respeitar e cumprir os dogmas e doutrinas que sua posição sacerdotal lhe exigia.
Uma alma chagada, sofrida, enclausurada num determinado momento precisa tomar uma decisão, e neste caso especifico, casar ou continuar no sacerdócio?
A história desse ex-padre, que com todo respeito, apesar da Igreja dizer não, ou somente em casos especiais, eu o vejo e respeito como Padre é simplesmente maravilhosa.
Não foi a desistência do sacerdócio que me cativou nessa história, mas a coerência e a respeitabilidade que ele conduziu esse processo.
Não precisou ser promiscuo viver uma vida dupla, Mao ao contrário, tomou uma decisão. Todos sabem o quão duro é tomar uma decisão, pois quando se toma, a pergunta que deve fazer em seguida é: Estou pronto para bancar com essa decisão/escolha que acabo de fazer?
Escolher, decidir é dificílimo, é mergulhar no desconhecido, na incerteza, no vazio, é investir na incerteza.
Seus CDs foram recolhidos, seus livros recolhidos, suas pregações findaram, sua direção na revista acabou, assim como o programa televiso que fazia pela Rede Canção Nova, pois já não era mais padre.
Era o preço da decisão a ser tomada!
Decidir/escolher é renunciar. É sair de uma zona de conforto e dizer, eu quero me reinventar, eu preciso me reeducar, eu desejo e anseio partir.
Padre Dalcídes, não precisa de mim para defendê-lo, se é que ele precisa de defesa, mas num mundo onde as pessoas preferem viver no anonimato, ou às escondidas, fazendo as coisas por debaixo dos panos para ninguém saber “Ney Matogrosso”, esse padre nos da à dimensão do que a Igreja e o mundo de certa forma precisa viver e ter como doutrina/dogma, ou qualquer nome que queiramos dar, COERÊNCIA.
Pouco interessa, se o deixar a batina foi para a realização do sonho de casar-se, ressalto a coragem de ser verdadeiro, prudente, cauteloso, honesto consigo mesmo e com os demais é uma virtude sem precedente.
Se muitos sacerdotes procurassem imitar, a coragem desse padre, certamente os ataques aos homossexuais não seria grande, pois sabemos que muitos são e se escondem.
Se muitos fossem prudentes e amassem tanto a Igreja como pregam, não teriam esposas e filhos escondidos por ai, envergonhando a Casa Mãe que Jesus fundou.
Não teríamos tantos escândalos, como corrupção, assédio, mentiras, pedofilia, ou seja, a Igreja não serviria de cabide para esconder os mais baixos gestos de desumanidade.
Não teríamos o celibato como desculpa de que o sacerdócio não teria tempo de se entregar inteiramente a Igreja, pois ao contrário do que pregam é imposição e não opção. E volto a dizer o celibato não é bíblico, utilizam uma orientação de Paulo para justificar o celibato, mas isso não vem ao caso agora.
As proposições defendidas nesse texto não são afrontas a Igreja, mas sim o desejo ardente que a Igreja seja Coerente, assim como Jesus Cristo, o seu fundador o foi.
Jesus ao ir para a Cruz renunciou a sua condição de filho de Deus no sentido de não precisar passar por tal martírio, pois Ele era o próprio Deus, mas no silêncio do seu coração recebeu a sentença dos homens que o assassinaram.
Homens esses que continuam matando se não com armas, mas com palavras que ferem mais do que dardos envenenados.
Perseguem os oprimidos, as minorias, aqueles que não comungam dos seus pensamentos, que não aceitam a suas doutrinas, os seus dogmas são políticos o tempo todo, matam em nome de Deus.
E mais utilizam o nome da terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo para justificarem tremendas barbáries.
Padre Dalcídes nos ensina com gesto de amor e fidelidade, volto a dizer que é possível ser Igreja fora dela, com valores, morais e éticos.
A Igreja Católica precisa desse reavivamento, não esse reavivamento que se prega nos grupos de oração espalhado pelo Brasil e mundo afora.
Mas um reavivamento que a conduza de volta ao seu primado, a barca de Pedro, a Igreja de Jesus Cristo.
A coerência, o respeito, a humildade, a fraternidade, a generosidade, a escuta, o silêncio, a oração, são armas importantíssimas na Evangelização.
O Evangelho da Graça não tem dono, a não ser o Criador que nos da em abundância para que decidamos transmiti-lo com seriedade, não pelo merecimento humano, mas pela misericórdia celestial.
Que ama a Igreja ama os pequenos, ama os maltratados, ama os injustiçados, esta ao lado dos pobres, vive com os pobres, faz a refeição com os pobres, mas estimula o pobre a deixar de ser pobre.
Pobre de pensamento, pobre de inércia e comodismo, pobre de amor. Ensina o pobre que as coisas não caem do céu, que é preciso lutar e reivindicar das classes dominantes.
Essa pobreza pregada em nada tem haver com a pobreza pregada por Jesus, pois este não pregou a miséria.
Como já foi mencionado escolher/decidir não é fácil em nenhum aspecto, mas só experimentando será possível se Auto-Conhecer!
Parabéns Padre Dalcides Biscalquim, vós sois e continuarás sendo sacerdote, segundo a ordem de Melquesedequic.
“O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Sl 109,4.” Prof. Flávio Costa··.
Obs: Conheço muitas freiras que vivem não a beira da miséria, mas quase lá depois que deixaram o Convento. A ajuda recebida foi infima, mal conseguem viver um mês com o dinheiro oferecido! Não tem direito a nada, saem com uma mão vazia e a outra abanando, vivendo da caridade das pessoas que as conheceram quando em missão. E vocês sabem o motivo de tudo isso, quando entram nos conventos e recebem suas primeiras profissões, são obrigadas a assinarem que não tem direito a nada,caso saiam do Convento. Elas aida fazem três votos: pobreza, obediência e caridade.Fazem o serviço que os padres que em muitas congregações não fazem esse voto. A Igreja Católica tem uma divida social enorme com as mulheres. Cadâ a solidariedade pregada, a fraternidade anunciada?

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