Acabei de ler agora, o livro: "Soldados não choram, A vida de um casal homossexual no Exército do Brasil", um livro comovente por várias questões que não sei se conseguirei expor todos os pensamentos que passara pela minha cabeça ao término da leitura.
Os sargentos , Laci e Fernando se apaixonam, descobre esse amor, ato impensado para os padrões militares.
Que ainda traz no seu Código Penal Militar, resquícios da ditadura Militar, onde se arrombavam casa, torturavam, matavam e sumiam com os corpos.
Vitimados pela perseguição esses dois jovens se veem no olho do furacão, principalmente após descobrirem erros dentro dos quarteis e batalhões. Erros esses que ainda insistem em acontecer, haja vista os noticiários que temos de jovens que são mortos de causas inexplicáveis.
Na tentativa de fazer vale os seus direitos, eles acabam sendo usados pela mídia sensacionalista, que estão mais preocupados com os índices do IBOPE do que com a dor que esses dois personagens trazem na sua longa história por justiça.
Não contarei o enredo do livro, pois seria uma indelicadeza de minha parte aos futuros leitores, porém creio que a Presidente de República, o Ministério Público, mesmo passado cinco anos esse fato, deveriam empenhar-se para descobrir o que de fato aconteceu nos bastidores do Exército Brasileiro, e inclusive na lei de tortura e indeniza-los.
E inaceitável que qualquer brasileiro, após a Constituição da República, término do Regime Militar em 1995, ainda seja vitimas de torturadas, sejam elas psíquicas, emocional e física.
O caso aqui, apesar do título do livro, trata-se de dois cidadãos que tiveram seus direitos cerceados, pelo único desejo de ser quem são não tendo pelo consta nos fatos jornalísticos nenhum caso que desabonam-se suas condutas.
Calar-nos diante dessa dessas situações e aceitarmos que nosso país não é um país democrático, mas sim que traz embutidos nas suas organizações movimentos poderosíssimos, capaz de desqualificar uma pessoa, ou um grupo de pessoas pelo simples fatos de almejar a tão sonhada liberdade.
Quantos outros militares, civis estão passando pela mesma problemática, mas sendo impedidos, perseguidos de manifestarem os maus tratos sofridos.
Esqueceremos essa história, como tentaram fazer com aqueles que foram mortos e jogados em valetas e que até hoje seus parentes buscam respostas ou os restos mortais dos seus entes queridos?
Até quando teremos a mentalidade medieval que não que duas pessoas do mesmo não sexo não podem ser amar?
Até quando enquadraremos todos os homossexuais como pessoas promíscuas, esquecendo que no campo heterossexual isso é tão maior ou igual ao dos gays?
Muitos têm a coragem de apontar para um travesti na rua e usar palavras de baixo calão, mas esquecem de que nossa sociedade é tão preconceituosa que se quer abrem portas de trabalhos para essas pessoas, pois não os enxergam como seres humanos?
Será que é prazeroso para todos viverem assim, a margem da sociedade, servindo de “palhaços”, “piadinhas” e outros gracejos negativos?
Que misericórdia é nos ensinadas nas catequeses das diversas denominações religiosas, que não nos ensinam a viver na prática e também não vivem o amor incondicional?
Por que a sexualidade alheia é mais importante do que a situação de milhares de crianças passando fome, sem escolas, sem condições se quer de uma vida digna?
Por que a sexualidade alheia é mais importante do que a situação de milhares de crianças jogadas em instituições abandonadas por pais heterossexuais?
A sexualidade alheia é mais importante do que os desvios das verbas públicas destinadas a Educação, Saúde, Segurança Pública e outros.
O sexo tende por finalidade apenas a procriação? Por isso duas pessoas do mesmo sexo não podem se amar?
O país com a maior parada gay concorda que ela perdeu o foco principal, trata assim seus cidadãos?
Os direitos constitucionais presente na Constituição da República prevê igualdade, ou desigualdade entre os seus cidadãos?
Os argumentos usados pelas igrejas são verdadeiramente reais, ou precisa ser analisado num contexto maior, historicamente falando?
Parabenizo esses dois sargentos que não abriram mão do seu amor, e que até hoje lutam para terem seus direitos garantidos.
Esse livro é baratinho, custa apenas dois reais, e são encontrados nas estações do Metrô, sugiro como uma leitura agradável.
Repúdio qualquer violação dos direitos humanos!
Prof. Flavio Costa

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