Para nossa geração, lidar com a
figura de um ex-papa não é normal, principalmente nas condições em que Bento
XVI renuncia ao posto Petrino.
Como já mencionei em outros textos, o
modus operandi que o mesmo utilizava para lidar com assuntos polêmicos gerados
tanto no seio da Igreja, quanto fora dela não me agradava. Bento XVI, por
muitas vezes tentou ocultar pontos nevrálgicos da comunidade milenar que
representava.
Esse silêncio de certa forma, numa
leitura critica lhe custou muito caro, pois reafirmo dentro das minhas
convicções que sua renúncia não só estava, ou esta atrelada ao seu estado físico,
mas sobre tudo pelo seu isolamento.
Bento XVI perdeu o controle da
situação, inclusive com as nomeações que fizera para cargos importantes dentro
do Vaticano. Vejam essas noticias estão espalhadas por todos os grandes jornais
do mundo.
O período papal de Bento XVI foi
marcado por corrupção, abuso sexual, haja vista o montante que a Igreja
Católica teve que pagar nos Estados Unidos e em outros países, vide Irlanda.
O que me assusta não são as
acusações, até porque isso não é novo, não vem de hoje, quem conhece os
bastidores da Igreja sabe do que eu estou falando. Claro que com isso não quero
e nem posso generalizar, mas preciso fazer essa leitura critica.
Bento XVI iniciou seu “mandato”,
prometendo moralizar a Igreja, e como deve ter se sentido ao perceber que isso
não era e não é tão fácil assim? Que no meio dos cardeais, dos padres, dos
leigos muitos pousam de cordeiros, mas são verdadeiros lobos maus?
Não deve ter sido fácil com certeza!
O mais impressionante é ver alguns defendendo a renúncia de Bento XVI, quando
na verdade em nenhum momento,não que eu tenha lido ele fazer esse tipo de
pedido, mas ao contrário, nas suas últimas homilias utilizou de palavras duras
para dizer e diferenciar os que servem a Igreja e aqueles que dela utiliza para
bens próprios.
Outra coisa, Bento XVI não é nenhum ingênuo,
sabia muito bem quem eram e são seus algozes. A desobediência estava
escancarada, na frente todos diziam amém, mas sabemos que por trás não era bem
assim.
Como justificar se a obediência era
tamanha, os casos de pedofilia, corrupção no Banco do Vaticano, e outros?
Bento XVI, também não soube dialogar com a sociedade moderna,
porém não foi essa sociedade que de certa forma não o fez bem, mas sim seus coirmãos.
Na sua despedida, era nítida a face de um homem cansado, não
pela doença, mas creio que pela desilusão.
Criticara tantos vícios sociais, mais se esqueceu de olhar
para dentro do seu próprio ninho e quando isso aconteceu de certa forma já
havia sido engolido.
Que fique claro, que se é verdade que a Igreja é movida pelo Espírito
Santo, também o é que sua moção é muito mais política, interesseira como
qualquer outro órgão da sociedade.
Na sua despedida, ele coloca hoje na posição de peregrino,
que assim seja, porém um pouco dissonante, se levarmos em consideração a
motivação inicial da sua renuncia.
Que neste período de reclusão, Bento XVI possa de fato pensar
nas não contribuições que ele fez para a sociedade, porque as contribuições de
certo ele esta consciente, portanto a analise deve ser ao contrário. O que eu
poderia fazer e não fiz?
Não serei hipócrita em dizer que sentirei falta deste papa,
até porque ele não morreu, mas penso que a Igreja com o conclave tem um novo
desafio, como escolher, ou melhor, como deve ser esse novo Papa? Jovial,
alegre, que dialoga com o povo, que abre as portas da Igreja sem discriminar
ninguém, que entende os sofrimentos alheios, ou um papa turrão que esta tão
preocupado com os dogmas e as doutrinas que se esquece de ver a face de quem
esta lhe escutando? Afinal de contas para quem é o Evangelho da graça?
Flavio Costa


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