segunda-feira, 6 de maio de 2013


A despedida de Bento XVI
Para nossa geração, lidar com a figura de um ex-papa não é normal, principalmente nas condições em que Bento XVI renuncia ao posto Petrino.
Como já mencionei em outros textos, o modus operandi que o mesmo utilizava para lidar com assuntos polêmicos gerados tanto no seio da Igreja, quanto fora dela não me agradava. Bento XVI, por muitas vezes tentou ocultar pontos nevrálgicos da comunidade milenar que representava.
Esse silêncio de certa forma, numa leitura critica lhe custou muito caro, pois reafirmo dentro das minhas convicções que sua renúncia não só estava, ou esta atrelada ao seu estado físico, mas sobre tudo pelo seu isolamento.
Bento XVI perdeu o controle da situação, inclusive com as nomeações que fizera para cargos importantes dentro do Vaticano. Vejam essas noticias estão espalhadas por todos os grandes jornais do mundo.
O período papal de Bento XVI foi marcado por corrupção, abuso sexual, haja vista o montante que a Igreja Católica teve que pagar nos Estados Unidos e em outros países, vide Irlanda.
O que me assusta não são as acusações, até porque isso não é novo, não vem de hoje, quem conhece os bastidores da Igreja sabe do que eu estou falando. Claro que com isso não quero e nem posso generalizar, mas preciso fazer essa leitura critica.
Bento XVI iniciou seu “mandato”, prometendo moralizar a Igreja, e como deve ter se sentido ao perceber que isso não era e não é tão fácil assim? Que no meio dos cardeais, dos padres, dos leigos muitos pousam de cordeiros, mas são verdadeiros lobos maus?
Não deve ter sido fácil com certeza! O mais impressionante é ver alguns defendendo a renúncia de Bento XVI, quando na verdade em nenhum momento,não que eu tenha lido ele fazer esse tipo de pedido, mas ao contrário, nas suas últimas homilias utilizou de palavras duras para dizer e diferenciar os que servem a Igreja e aqueles que dela utiliza para bens próprios.
Outra coisa, Bento XVI não é nenhum ingênuo, sabia muito bem quem eram e são seus algozes. A desobediência estava escancarada, na frente todos diziam amém, mas sabemos que por trás não era bem assim.
Como justificar se a obediência era tamanha, os casos de pedofilia, corrupção no Banco do Vaticano, e outros?
Bento XVI, também não soube dialogar com a sociedade moderna, porém não foi essa sociedade que de certa forma não o fez bem, mas sim seus coirmãos.  
Na sua despedida, era nítida a face de um homem cansado, não pela doença, mas creio que pela desilusão.
Criticara tantos vícios sociais, mais se esqueceu de olhar para dentro do seu próprio ninho e quando isso aconteceu de certa forma já havia sido engolido.
Que fique claro, que se é verdade que a Igreja é movida pelo Espírito Santo, também o é que sua moção é muito mais política, interesseira como qualquer outro órgão da sociedade.
Na sua despedida, ele coloca hoje na posição de peregrino, que assim seja, porém um pouco dissonante, se levarmos em consideração a motivação inicial da sua renuncia.
Que neste período de reclusão, Bento XVI possa de fato pensar nas não contribuições que ele fez para a sociedade, porque as contribuições de certo ele esta consciente, portanto a analise deve ser ao contrário. O que eu poderia fazer e não fiz?
Não serei hipócrita em dizer que sentirei falta deste papa, até porque ele não morreu, mas penso que a Igreja com o conclave tem um novo desafio, como escolher, ou melhor, como deve ser esse novo Papa? Jovial, alegre, que dialoga com o povo, que abre as portas da Igreja sem discriminar ninguém, que entende os sofrimentos alheios, ou um papa turrão que esta tão preocupado com os dogmas e as doutrinas que se esquece de ver a face de quem esta lhe escutando? Afinal de contas para quem é o Evangelho da graça?

Flavio Costa

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