Depois de alguns dias descansando nos galhos de Jequitibá, Pimpim resolveu descer da árvore para comer alguma coisa e tomar um banho. Os Gnomos não costumam tomar banhos, mas as formigas andavam pelos enormes galhos do Jequitibá onde ele dormia, tinham mordido e pinicado todo o seu corpo.
Que coceira brava!
Pimpim fez um enorme esforço para descer daquela árvore com mais de cem metros de altura, até que conseguiu pôr seus pezinhos no chão.
A fome era grande e ele imaginava um bom prato de morangos silvestres, pétalas de flores e algumas sementes de abóbora.
Então, pôs-se a procurar comida. Entrou aqui, entrou ali e nada de morangos silvestres. Encontrou uma orquídea branca e roxa, mas ela era tão linda que Pimpim não teve coragem de comê-la. Continuou a caminhar pela mata e, sempre atento, avistou um pássaro que dormia. Ficou assustado, pois pensou que uma Kiula fedida, aquela ave de cinco pernas que vive em Tífines, a Terra dos Gnomos. Aproximou-se do pássaro que imediatamente acordou. Era uma coruja. Corujas dormem de dia. Curioso como sempre, Pimpim disfarçadamente, puxou assunto com a coruja. O nome dela era tão estranho que o coitadinho não conseguia aprender. Chamava-se Dona Xistofânia.
- Dona Xis...Dona Coruja, sabe me dizer qual o melhor caminho para eu encontrar frutos silvestres e água para me banhar?
Dona Xistofânia, desconfiada e sonolenta, respondeu:
- Não conheço nenhum fruto silvestre por aqui. Mais para frente, perto da toca do Guaxinim, tem um pé de melão São Caetano. Eles estão maduros e bem docinhos. Eu sei por que um sabiá da terra me contou, pois eu não gosto de frutas. Gosto de ratinhos. Pimpim fez uma expressão de quem sabia o que era melão de São Caetano e o que era Guaxinim e perguntou:
-Ah! Muito obrigado Dona Xis...,ahan, Dona Coruja. Muito assustado ainda, arriscou:
- A Senhora come ratos?
- Sim...São muito gostosos, respondeu a coruja. Mas, às vezes, também costumo dar umas bicadas em Gnomos que não me deixam sossegada.
Pimpim arregalou os olhos e novamente arriscou:
- Dona Xis...Dona Coruja, sem que incomodar, sabe me informar onde tem água? Preciso um tomar um banho.
Neste momento, a Coruja Xistofânia despertou.
- Banho? Gnomos tomam banho?
- Não muitos, Dona Xis...Dona Coruja. É que as formigas do Jequitibá não me deixam em paz, respondeu Pimpim um pouco envergonhado.
A Coruja olhou desconfiada e disse:
- Eu não tenho tempo a perder. Preciso dormir para a noite estar disposta para caçar. Então deixemos de conversa mole. Depois de 1.299 passos da toca do Guaxinim, tem uma praia. Lá você vai encontrar muita água.
- Obrigado, Dona Coruja. Desculpe qualquer coisa.
Pimpim pôs-se a andar e a coruja Xistofânia fechou os olhos e dormiu novamente. Durante o caminho, ele não conseguiu encontrar o tal pé de melão de São Caetano e muito menos a toca do Guaxinim. Simplesmente continuou andando e contando: Um...dois...três...Mas, quando chegou ao número mil, Pimpim parou. Não sabia mais contar!
Andou mais um pouquinho e, num determinado momento, avistou uma imensidão de água. Era o mar. Pimpim não conhecia o mar. Ficou tão maravilhado que abriu sua pequena boca para dar o seu mais lindo sorriso de felicidade.
Não perdeu tempo e correu para tomar banho. Pluft...caiu na água.
O que Pimpim desconhecia eram as ondas do mar, que não tardaram a chegar.
Plaft...uma onda derrubou o Gnomo. Pimpim sem saber o que estava acontecendo, foi levado pela correnteza até o fundo do mar. Como Gnomos não morrem e muito menos afogados, Pimpim continuou nadando do jeito dele e quis saber onde se encontrava, depois de enfrentar tanta espuma, tantas cambalhotas e muitas bolhas d’água.
Caiu sentado na areia do fundo do mar, meio tonto. Olhou para sua direita, para sua esquerda e só viu água. Muita água. Ficou sentado alguns instantes, e de repente, uma nova correnteza o levou para mais longe, até encostar-se a uma enorme pedra toda enfeitada de pérolas.
- Que lindo! – disse Pimpim em voz alta. O que será isso?
Nesse mesmo instante uma linda Senhora saiu detrás da pedra e disse:
- É a porta de meu palácio. Você acaba de chegar ao meu reino. O Reino das Águas Salgadas.
Pimpim muito emocionado falou:
- Como a Senhora é linda! Não sei quem é mais linda: se a Senhora ou esta pedra toda cheia de pérolas.
A bela Senhora sorriu e disse. Todos somos lindos. Eu, você, a pedra e minha casa.
- Mas quem é a Senhora?
-Sou Olokun, a Deusa do Mar, mãe de Iemanjá e você é o meu convidado para conhecer os mistérios e a beleza de meu reino.
Pimpim levantou-se do chão e deu a mão a Olokun. Ambos entraram no palácio.
Bastião, que era descendente de escravos, ouvia atentamente as histórias do Gnomo Pimpim.
Lenda: Jornal Agaxéta Infantil

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