domingo, 5 de maio de 2013

SEM FACE

Santa ceia II  
Ontem, ao caminhar pelo Shopping Interlar me deparei com uma linda obra exposta, sua gravura me chamou atenção e por alguns minutos me coloquei a contemplá-la. Perguntei ao seu criador o que ela representava. Ele sabiamente me disse: “A ceia de Cristo, mas a obra de um autor ganha a leitura daquele que a contempla”.
Sábias palavras. Então me enveredei nessa arte da leitura.
Apesar, de a obra ilustrar a ceia de Cristo, um dos seus momentos finais aqui na Terra, os rostos dos apóstolos não tinham face, o que me fez com que eu refletisse muito.
Minha memória foi ao encontro da passagem bíblica: A multiplicação dos pães, que encontramos na Bíblia em Mateus 14, 15-20.
Naquela primeira e tenho certeza que em muitas que Cristo realizou, o mesmo não se preocupou em saber a quem o seu pão uma vez multiplicado, portanto sagrado receberiam.
Não teve a curiosidade de saber se eles o acompanhariam, ou não. Qual o credo professado naquele momento, apesar de estarem sobre o manto do Judaísmo. Ele simplesmente alimentou! A preocupação em despachar os presentes dado o local e as circunstâncias foi dos apóstolos.
Jesus lança aos seus discípulos um grande desafio, cabe a nós alimentá-los. Imagino o desespero dos mesmos, o local era um deserto, e quem já foi ao deserto sabe que durante o dia é quente, insuportável e a noite é fria também da mesma natureza.
Sendo assim, a leitura da gravura me trouxe a seguinte compreensão.
Na mesa de Cristo, não há escolhidos;
Não há quem pode ou não pode comer;
Não se exclui ninguém todos são benquistos;
Não se pergunta sua a origem, seus dotes financeiros, religiosidade, sexualidade, ou qualquer coisa que seja apenas alimenta-se. Por isso, não se vê a FACE da pessoa.
A FACE de uma pessoa pode nos enganar, pode cegar nossos olhos, não nos permitindo olhar para seu interior e descobrir a beleza que ela traz a riqueza de conhecimentos e uma bela história de vida.
Isso Cristo certamente trouxe a sua catequese aos discípulos. Os desafios que os mesmos enfrentariam , e as diversas faces que encontrariam na grande jornada evangelística.
A leitura acima se confirma na epistola de Paulo, aos Romanos Cap. 2, 1-16. Deus não faz acepção de pessoas. Todos passarão pelo crivo do julgamento, indiferentemente do posto social, político ou religioso que possui.
Portanto quando vejo as perseguições, as excomunhões, exclusões, e tantos outros absurdos cometidos por alguns setores sociais, inclusive a Igreja, nesse nosso mundo, ponho-me a pensar: Eles ainda não entenderão o verdadeiro sentido do evangelho. Estão presos aos seus dogmas e doutrinas, não produzem a paz e sim a guerra, não partilham o verdadeiro pão, mas guardam para si na ignorância de acreditar que serão selecionados diferentemente dos demais.
Que vivem de aparência e por trás dos bastidores, nas coxias praticam atos tão lascivos quanto os demais, às vezes piores daquele que julgam e condenam.
Não produz a igualdade social, a equidade, o amor fraterno que pressupõe a entrega absoluta.
A FACE de cada um será vista pelo CRIADOR, mas não essa que estamos acostumados a ver, mas aquela que fica escondida dentro de nós, e se revela através dos nossos atos, atitudes de amor e generosidade para com nossos irmãos.
 
  Prof. Flavio Costa

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