Ontem à noite, assisti pela Rede Globo de televisão, o programa "Na Moral", apresentado pelo jornalista Pedro Bial. A temática discutida tratava do Estado Laico, para esse debate de ideias foram convidados: O Pastor Silas Malafaia, O Padre Jorjão, Daniel Souto Maior, ateu convicto, Babalorixá Ivanir dos Santos representado as religiões afrodescendentes, principalmente o Candomblé e a Umbanda, para tratarem desse assunto tão complexo.
Vimos um show de demagogia, hipocrisia pelo pastor Silas Malafaia dizendo “ser” favorável a todos as denominações religiosas, dizendo inclusive ser contra a demonização pregada nos cultos afro descentes, enfim mostrou-se um verdadeiro democrata e defensor do Estado Laico.
Para quem o conhece e assisti as suas pregações sabe o quão isso não condiz com seus pensamentos e estilo de vida.
Sabemos que somos perseguidos diariamente pelas denominações evangélicas, hoje sinto na pele por ser do Candomblé essas perseguições e esses preconceitos. Confesso e sem me fazer de "santinho" que antes de conhecer essa maravilhosa religião também tinha pensamentos negativos a respeito dos cultos afros.
Contudo fiquei contente com a representação que nossa religião teve ontem, o Babalorixá Ivanir de Souza com muita sabedoria defendeu o nosso culto, e apresentou fatos que demonstram a intolerância religiosa vivida no Brasil, principalmente pelo setor evangélico.
Haja vista as sessões de “descarrego” tão difundidas nos seus cultos, que vislumbra manipular e dizer absurdos dos cultos afros. Pessoas psicologicamente doentes que atribuem à religião as suas doenças mentais.
Pregam sim a Teologia da Prosperidade, usam sim da má fé do povo e enriquecem a custa daqueles que são excluídos da sociedade.
Interessante, que o mesmo Pastor que diz ser "amigo" da democracia e do Estado Laico se recusou a participar da caminhada contra a Intolerância Religiosa proposta pelo Babalorixá Ivanir Barbosa, alegando que essas caminhadas tem fundo políticos, por favor a Igreja Evangélica é um verdadeiro lobby político.
Que possamos de uma vez por toda compreender alguns aspectos: Não é religião que nos da licença, ou visto para entrar na presença de Deus, após nossa passagem nesse plano espiritual. Ninguém e nenhuma pessoa seja ela de qualquer denominação religiosa pode afirmar, ou dizer que tem a procuração de Deus para fazer e desfazer!
Ao deixar de professar o catolicismo como minha religião, em momento nenhum a difamei, ou falarei mal dela, pelo contrário sou muito grato a ela, todavia não me via mais dentro daquele espaço, mas que merece todo meu respeito e admiração continuo crendo em Nosso Senhor Jesus Cristo, em Maria Santíssima, mesmo discordando de alguns aspectos pontuais (dogmas e doutrinas) ali apresentados. Ao invés de ficar brigando preferi continuar meu caminho procurando apenas ser feliz.
Precisamos ampliar nossos conhecimentos e ter a consciência de que mais do que viver uma religião, eu preciso praticar através de gestos e atitudes o amor, a solidariedade, a compreensão, a tolerância.
O que me faz ser feliz hoje em ser do Candomblé é por ter a certeza de que me amam e me respeitam do jeito que eu sou não preciso de máscaras, de viver escondido.
Não fui impedido de participar disso, ou daquilo pela minha atual condição de divorciado, ou pela minha orientação sexual.
Fui acolhido, respeitado, mesmo não me conhecendo, como aqueles que me conheciam!
Axé para todos! Trabalhemos pelo um mundo melhor e veremos que religião nada mais é do que uma forma que encontramos para relacionarmos com Deus e sendo assim, desde que não fere a dignidade humana, todos devem fazê-la de acordo com aquilo que lhe traz bem e transforme em bem aos outros. Prof. Flávio Costa

0 comentários:
Postar um comentário