terça-feira, 1 de outubro de 2013

As águas de São Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo, em sessão de festa, abriu as suas portas para a Abertura Solene das Águas de São Paulo.

Evento esse que tem como um dos seus pilares o fim da Intolerância Religiosa, principalmente das de origens de matrizes africanas.

Contamos com a presença de várias autoridades, tanto políticos como Babalorisás e Yalorixás, e do presidente do Evento Babalorixá Ofanire que com muita garra luta para que esse aconteça de forma organizada e que seja um marco para o Estado e Cidade de São Paulo, além dos filhos e filhas de santo.

Falar desse maravilhoso exigiria mais conhecimento da sua gênese, porém ouso dizer que se trata de um evento que tenta com muita força e dedicação mostrar para a população que só estaremos vivendo num país laico, quando esse tratar todas as manifestações religiosas de forma respeitosa garantindo igualdade de tratamento, coisa que há muito tempo não tem sido feito, principalmente se levarmos em consideração a História do Povo Negro no nosso país.

As Águas de São Paulo traz um pouco do Grito dos Excluídos, do Grito das Minorias que se organizam para dizer: “Estamos aqui, mesmo que para incomodar estamos aqui. Estamos aqui, porque temos não só deveres, mas direitos constitucionais que precisam ser garantidos doa a quem doer, goste ou não”.

O Estado brasileiro, não pode tratar o povo do Santo, como seres ausentes e sem força de organização, pelo contrário, assim como prestigia as demais religiões precisa garantir entre tantas outras coisas, o respeito ao culto religioso das Casas de Matrizes Africanas.

Os poderes legislativos do nosso país, não podem no escuro da noite, atrás das coxias elaborarem leis que venham prejudicar ou que tirar a essência e os fundamentos das religiões de matrizes africanas por puro preconceito e falta de conhecimento.

No Rio de Janeiro tivemos a marcha Contra a Intolerância religiosa, pois há casas que estão inclusive sendo proibidas de tocarem em função do crime organizado!

Isso é um absurdo! Não é possível calar-se diante de tanta atrocidade.

E o pior assistir o silêncio do Estado, dando-nos a impressão de conivência!

As Águas de São Paulo luta justamente pelo direito de Igualdade, da elaboração de leis que garantam espaços para entregas das oferendas, das manifestações sem serem incomodados, ou ridicularizados por outros grupos religiosos e até mesmo pela Policia!

Causa estranheza que os meios de comunicação não veiculem nas suas programações esses eventos, haja vista que as demais religiões recebem tratamento diferenciado!

Um alerta que é preciso fazer a todos aqueles que são do Santo, não basta dizer sou disso, ou daquilo, há a necessidade de participar, de ir às ruas quando convocados, mostrar a força e a união das casas de Axé, indiferentemente da sua Nação.

No evento contamos também com uma presença maravilhosa, entre outras, Mãe Ana de Ogum, uma referência da Nação Oxumare, que foi homegeada embaixadora do Evento. Senhora séria, compromissada e que há muitos anos luta para que haja respeito dentro do Orixá, no Orixá e para com os filhos dos Orixás.

Claro, sem com isso desmerecer os demais organizadores do evento, e aqueles que foram homenageados, pois não conheço todos pelos seus respectivos nomes, mas que reconheço a importância e a luta de cada um. Pessoas que de forma aguerrida contribuem para o sucesso e concretude desse evento.

Reafirmo, o sucesso desse evento precisa ser transformado em projetos de leis, garantias para que não haja obscuridade nas elaborações das leis que regem esse país.

O parlamento brasileiro precisa ser composto de várias vertentes religiosas, e não religiosas também.

O que não é aceitável é um grupo, ou grupos mandarem e desmandarem nesse país. As Águas de São Paulo é luta, é resistência, não é um evento por si só, mas sim uma mobilização com objetivos bem claros. Igualdade já! Dia 05/10, às 10 horas, no Vale do Anhangabaú espera-se uma grande concentração de filhos e filhas de santo.

De Nações e Nações de Matrizes de Africanas. Aos envolvidos por esse grande evento, meus sinceros votos de sucesso e respeito!

Peço a benção aos meus mais velhos e aos meus mais novos.

Vamos à luta, com a força dos orixás mostrar ao Brasil, que existimos que não queremos mais e nem admitimos a clandestinidade. A benção meu Pai Nelson Ty Yemonjá, que com grande sabedoria me ensina a ser humilde, amar os orixás e aos meus irmãos de todas as matrizes.

Axé para quem é de Axé!

Kolofé para quem é de Kolofé!

Saravá para quem é de Saravá!

Motumba para quem é de Motumba!

Mukuiu para quem é de Mukuiu!

E para todas as saudações um grande e fraterno abraço!

 

Professor Flávio Costa

0 comentários:

Postar um comentário

NetworkedBlogs

Seguidores

Total de visualizações de página