A benção aos meus mais velhos e aos meus mais novos!
Todas as vezes que nos reunimos um propósito sempre estará norteando esse momento! E desta vez não poderia ser diferente, hoje é um dia de suma importância para nós e todos aqueles que são Adeptos do Culto Afro-Brasileiro, não só na Cidade de São Paulo, mas em todo o Brasil.
Ocupamos esse espaço de forma proposital, pois sabemos o grande significado que ele tem para o nosso Município, sabemos que aqui foi fundada a Cidade de São Paulo, porém sabemos que aqui muitos dos nossos ancestrais trabalharam arduamente.
Ancestrais que capturados foram do seu continente, para aqui servissem de escravos, servindo os senhores feudais, a monarquia e a própria Igreja!
Contundo nossos ancestrais não vieram sós, em suas bagagens memórias nos presentearam com aquilo que é belo para o Povo Africano. A sua Religiosidade.
Religiosidade essa que por séculos foram mantidas em segredos, ou sincretizadas nos Santos Católicos, a fim de que pudessem cultuar os Orisás.
É de conhecimento de todos que aqui estão que muitos dos nossos ancestrais, sofreram todos os tipos de perseguições, e muitos derramaram seu sangue chegando à morte, por defenderem a própria Liberdade física e também espiritual.
Assim, nasceram os quilombos e seus quilombolas. Assim construí-se uma identidade, que muitos imaginavam ter sido esquecida nos porões dos grandes navios negreiros, ou no imaginário daqueles que ajudaram, só que sem receber salário algum, pois escravo, não tem e não tinha salários!
Mas não, nossos ancestrais foram mais fortes do que qualquer corrente, chicote, amordaça, ou outro instrumento de tortura e juntos na calada da noite, no silêncio das senzalas, nas palmas das mãos e até mesmo nos sussurros louvam seus ancestrais e orisás!
Sendo assim, o grito, ou os gritos de liberdade não podem e nem devem ser esquecidos por cada um de nós que aqui estamos.
Devemos a todo o momento reportar a nossa história, levantar a nossa bandeira e dizer que os sangues derramados aqui nessa terra, não foram e não serão em vão.
Somos filhos da ancestralidade africana que se habitou em nós. Trazemos a alegria, o amor, o carinho, a vontade de crescer. O gosto pela dança, às roupas coloridas, o sorriso estampado nas nossas faces, ou seja, a nossa Negritude, mas trazemos também as marcas das chagas vivenciadas pelo nosso Povo Africano, aqui escravizado!
Todos nós sabemos que mesmo com a liberdade de culto religioso, na ditadura militar brasileira, muitos dos nossos irmãos tiveram suas casas invadidas, e até presos foram, sob a alegação de práticas satânicas, ou desrespeitarem a ordem pública!Tudo pelo simples fato de cultuarem suas raízes, os nossos orixás,inquices, vodunces, guias e entidades, as nossas ancestralidades.
Para enganar a policia, para não serem denunciados, muitos intercalavam os cultos, com o samba, pois foi à maneira encontrada para se ter um pouco de Paz!
Mas Paz, Paz social de aceitação o negro, o povo do Santo até hoje não tem.
É importante que percebamos que ao falarmos dos nossos cultos, a situação do negro sempre estará presente.
Determinados setores da nossa sociedade, gostam das roupas coloridas dos negros, da culinária/iguarias negra, da capoeira negra, uns dizem que gostam da Cultura Negra, mas esquecem de que o Culto Afro-brasileiro também esta inserida dentro dessa Cultura, dessa História!
Quando discutimos a questão negra, não só no Brasil, mas no mundo inteiro temos uma verdade gama de discriminação, preconceitos, atrocidades e tantos outros assuntos, que inclusive já serviram de estudos nos grandes centros acadêmicos, porém em muitos casos lá ficaram.
Não podemos deixar que guardem a nossa história nas gavetas, ou nos porões, ou que aos poucos vão nos concedendo “pseudo-direitos”, pois somos brasileiros, e o principio de Igualdade está contido na Constituição Brasileira! Queremos respeito já! Agora!
As grandes Casas, Casas Mães de Matrizes Africanas lutaram bravamente, nos séculos XIX, XX, para que esse direito, inclusive o de estarmos aqui hoje reunidos fosse garantido. Sendo assim, não podemos abri r mão dessa grande riqueza de luta e resistência que herdamos!
Os poderes do Candomblé e da Umbanda são tão grandes, que essa magia linda, antes somente cultuada pelo Povo Negro, hoje é comungada com uma parte significativa de irmãos, e não vou aqui denominar cor de pele, somos todos irmãos.
Ocupamos essa praça no dia de hoje para juntos pedirmos o fim da Intolerância Religiosa, fim esse que só virá com a criação de Leis e aplicabilidade da mesma, pois não basta elaborar, aprovar leis, faz se necessário o seu cumprimento.
Há poucos dias atrás fomos surpreendidos com um parecer jurídico, onde os Cultos Afro-brasileiros não eram considerados religiões, e com falta de argumento, de conhecimento, excelentíssimo Senhor Juiz, em seu parecer alegou que não atendíamos as diretrizes, livros, dogmas, liturgia que uma religião precisava ter para se denominar religião!
Que diretrizes? Que dogmas? Que Liturgia? A colonizadora, que nos escravizaram que se calaram diante de tantos genocídios, e que mataram inclusive os seus acusando-os de bruxos, feiticeiros, e depois os transformaram em Santos?
Não essa Liturgia, esses dogmas, essas cartilhas prontas, não queremos!
Nossa fé tem liturgia própria, tem dogma, fundamentos e princípios que precisam ser imediatamente respeitados!
O Candomblé, a Umbanda são denominações religiosas que abraçam a todos, sem distinção, sem querer converter ninguém, pois para nós o principio do Amor ao ser humano, desde que ele não macule seu irmão é a nossa conduta, nossa missão!
O Candomblé, a Umbanda não discute os dogmas, as liturgias, os livros sagrados das demais religiões, mas também não aceita que os seus sejam questionados, pois o principio do respeito deve nortear nossa fé, nossa conduta!
Não podemos viver sob o manto do medo do passado!
Não podemos assistir nos meios de comunicação, outras denominações religiosas postando mentiras, em sites de grande visibilidade condutas não praticados por nós, Povo do Santo! E aqui citaria o site Youtube e tantos outros. Alguns tipos de filtragem impedindo essas praticam discriminatórias precisam ter, lembrando que existem leis para crimes de internet!
Os próprios meio de comunicação televisam que explora nossa religião em suas novelas, é a mesma que cria situações embaraçosas, haja vista, a Galinha Pintadinha!
Não cultuamos demônio, nem tão pouco sacrificamos crianças, ou qualquer outro ser humanos, nos nossos rituais. Se há pessoas, ou denominações que assim o fazem, essas não são do Candomblé, nem da Umbanda!
Psicopatas cometem crimes e no auge das suas loucuras utilizam: velas, panos, ou outros tipos de objetos. Quando esses crimes são divulgados, logo fazem questão de atribuir a nós tamanha barbaridade!
Não podemos assistir ouvir, acompanhar calados Ilês Ases, Templos de Umbanda, serem queimados, destruídos, tendo suas histórias dilaceradas!
Não podemos nos calar, quando escutamos, ou ouvimos que Babalorisas, Yalorisas do Candomblé, Sacerdotes e Sacerdotisas da Umbanda foram expulsos da sua comunidade, do meio do seu povo, isso quando não são assassinados, pois grupos de “justiceiros” resolveram fazer suas próprias leis!
Ou tomamos ciência, consciência e começamos a agir contra essas atitudes, ou voltaremos aos tempos antigos já relato acima.
Exigimos dos três poderes que constitui essa Nação ações mais concretas contra qualquer tipo de Intolerância Religiosa, caso contrário continuaremos a denunciar, a ocupar praças, ruas e outros espaços, para deixar bem claro, que temos voz e vez!
Que seja retirado imediatamente vídeos ofensivos a nossa religião dos meios de comunicação, principalmente da Internet!
O tema é vasto, poderia ficaria aqui discutindo mais, e mais assunto que fere a honra, e a dignidade do Povo Santo.
Mas temos entre nós, o respeito como arma fundamental e outros irmãos também darão sua contribuição nesse debate!
Todavia esse ato só será válido se cada um de nós, ao sairmos daqui levarmos os conceitos ressaltados do que é viver uma espiritualidade candomblecista e umbandista para aqueles que são filhos de santo, aos simpatizantes e nos meios por onde passamos, ou convivemos!
Aproveito para agradecer a todos os nossos irmãos das demais denominações religiosas que juntos estão aqui conosco, lutando por uma sociedade, mais igualitária e humana.
A benção aos meus mais velhos e mais novos!
Intolerância Religiosa é crime! Denuncie!
Adupé
Olukó Flávio Ty Ayra
Danyel Ty Ógún

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