sexta-feira, 25 de maio de 2012

A LUTA CONTRA A HOMOFOBIA



        Sei que o assunto que dissertarei aqui tem sido motivo de muita polêmica. São muitos os motivos elencados em discursos que, não raras vezes, justificam uma condenação:  aberração, imoralidade, desvio de caráter, promiscuidade, etc.  Há muito, que a humanidade encara  a homossexualidade como um problema de vergonha social. Em algumas análises mais ponderadas ou brandas se ajusta  como doença mental.
        Sei, também, que pagarei por ter a ousadia de revelar aquilo que penso. Alguns se afastarão de mim. Correrei esse risco, pois, mesmo sabendo que não mudarei muitas opiniões, sinto uma tremenda necessidade de expor alguns pensamentos, e, parafraseando Jesus, lutar para que todos tenham a mesma possibilidade de vida plena, com o máximo de liberdade para conduzí-la de acordo com suas próprias escolhas.
        Ressalto que não tenho por intenção nem um tipo de   auto promoção. Estou, apenas, me deixando levar pela inspiração de luta e coragem de personagens que se expuseram, arriscando suas vidas por acreditarem num  mundo mais justo e igualitário:
·       Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy, assassinada em fevereiro de 2005, pois foi a voz dos mais empobrecidos na Amazônia.
·       Martin Luther King, Jr. (Atlanta, 15 de janeiro de 1929Memphis, 4 de abril de 1968) foi um pastor protestante e ativista político estadunidense, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo. Assassinado no dia quatro de abril de 1968, momentos antes de uma marcha que havia programado pela luta dos direitos civis dos negros.
·       Harvey Bernard Milk (Woodmere, 22 de maio de 1930São Francisco, 27 de novembro de 1978) foi um político e ativista gay norte-americano. Foi o primeiro homem abertamente gay a ser eleito a um cargo público na Califórnia, como supervisor da cidade de São Francisco. Assassinado em 27 de novembro de 1978.
·       Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, (Xapuri, 15 de dezembro de 1944Xapuri, 22 de dezembro de 1988) foi um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Sua atividade política visava a preservação da Floresta Amazônica e lhe deu projeção mundial. Assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía de casa para tomar banho, em 22 de dezembro de 1988.
·       Jesus de Nazaré, que para os cristãos é Filho de Deus, morto por ir contra ao império Romano e por parte de alguns judeus por pregar o amor, a solidariedade, o fim da desigualdade social, entre outros.
Poderia seguir citando muitos outros, mas certamente não caberiam todos aqui.
        Retroagindo um pouco mais na história, vale lembrar que a Igreja em nome de salvar o “Projeto de Deus”  mandou  para a fogueira muitos daqueles que, por seu julgamento, de alguma maneira não eram por “Ele” contemplados. Qualquer deslize ou desvio de seus sagrados dogmas ou pregações, estavam sujeitos a purificações em fogueiras santas e salvadoras, que aliviariam e purificariam a humanidade perante o Senhor. No entanto, sabe-se  que tais medidas nem sempre couberam às suas santidades. Muito se escondeu e se esconde, ainda, sobre os pecadores da Santa Igreja que vive insistindo em pregações hipócritas e superficais, sempre negando a existência do diferente quando se depara com ele. Até hoje é assim. Mas, não entrarei nesse mérito para não fugir ao foco de minhas idéias.
        É justo acrescentar as históricas perseguições sofridas pelos negros, judeus, doentes mentais, opositores políticos, etc. Não são poucos os fatos revelados pela história em que pessoas foram submetidas ao poder e ganância de outras pessoas. Em cada época, por algum motivo e, às vezes, por muito tempo, as perseguições seguiram seu curso como sendo algo normal e perfeitamente aceitável socialmente.

        Todas essas explanações têm por finalidade parabenizar os idealizadores e todos os participantes do Ato promovido no centro da cidade de São Paulo, no dia 13 de maio de 2012, e que, infelizmente, os meios midiáticos não divulgaram com tanta intensidade como fazem em outros casos.
        Um grupo de mães enfrentou o frio da tarde do domingo paulistano, e trocou o aconchego dos seus lares, no dia das mães, para engrossar a voz de quem pretende denunciar um grave problema de violência, comumente abafado e ignorado pelas autoridades, a HOMOFOBIA. Corajosamente, essas bravas mulheres promoveram a antecipação de muitas outras ações realizadas no Dia Internacional contra a Homofobia, comemorado em 17 de maio.
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20120514084050&assunto=5&onde=Brasil
        Segundo dados da própria Policia Militar, os índices de agressões aos homossexuais têm aumentado assustadoramente. Isso é explicado pelo comportamento  tradicionalmente preconceituoso e machista de nossa sociedade, na qual  crianças do sexo masculino são ensinadas que homens não choram e que as mulheres são inferiores. Ao  macho cabe jogar bola, soltar pipas, ser grosseiro, “pegar”, ou “ficar” com todas as meninas que aparecerem pela frente. É um discurso recorrente a popular frase: “Segurem suas cabras, porque meus bodes estão soltos”. Entendo que nem sempre seja uma atitude de caso pensado, muitas vezes o indivíduo se deixa levar por força de antigos hábitos. No entanto, esse tipo de tendência, mesmo inconsciente, ajuda a   reforçar e divulgar muito pensamento machista, que tem por princípio ser a mulher um objeto possível de ser possuído e, portanto, sujeito a todo tipo de violência quando contraria essa condição. Até bem pouco tempo, elas eram impedidas de votar e, hoje, ainda lutam por igualdade de salários num mercado de trabalho que remunera melhor a mão de obra masculina, mesmo ocupando funções semelhantes.  

É preciso entender e aprender a lidar com a diversidade própria da humanidade, as diferenças devem ser respeitadas, se não pela bondade espiritual ou bom funcionamento da própria razão, que seja por respeito às leis previstas em nossa Carta Magna, a Constituição da República.

        Criminalizar a HOMOFOBIA, não significa impedir o cidadão comum de ter sua opinião particular sobre o assunto, muito menos querer obrigá-lo a aceitar essa ou aquela situação. Ao contrário, é garantir que todos possam usufruir  seus direitos de escolha. Infelizmente, é a solução mais palpável na busca de uma saída para a discriminação que sofrem os homossexuais. Não é justo que lhes seja negada a mesma autonomia de opção sexual que possuem os heterossexuais. Muito menos admitirmos que por causa disso sofram algum tipo de perseguição ou punição, que vão de pressões psicológicas até o absurdo das agressões físicas, muitas vezes fatais. Nenhum cidadão pode ser usurpado do maior direito que a Humanidade tem: o DIREITO A VIDA.
        Quem comete tais atrocidades escolhe seguir o mesmo caminho daqueles que se acham no direito de perseguir negros, nordestinos, índios ou o que lhes vier à mente doentia.
Há, ainda, os que se passam por vendedores de falsos milagres, promovendo encenações perturbadoras onde expulsam demônios surgidos estranhamente de algum desconhecido (pré) escolhido aleatoriamente na multidão de fiéis. Assim, aliciam pessoas humildes e muito carentes em suas ignorâncias, muitas vezes, tirando-lhes de maneira  vergonhosa seu parco dinheirinho. Iludidos e dominados, alguns acreditam mais do que devem e entregam mais do que possuem. Esses enganadores, além de desenterrarem antigos rituais purificadores, aqui já mencionados, ultrapassam os limites da decência e prometem, entre outras coisas, curar ou recuperar do demônio qualquer alma homossexual perdida nas trevas.  Quanta insanidade!!!    
        Lidar com a diversidade não é fácil, mas é o caminho para que nossa sociedade seja igualitária, justa e solidária.
        Enquanto os Argentinos estão distribuindo cartilhas contra os preconceitos sofridos, nas escolas, por adolescentes homossexuais, o Brasil fecha os olhos por causa das bancadas evangélicas e católicas que impedem a sua distribuição.
        Menos preocupado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nos meios de comunicação a sua posição pessoal a favor dos direitos homossexuais. Seria importante  que a presidente Dilma Rousseff também tivesse essa coragem. Para muitas famílias, nem sempre bastam apenas as “bolsas”.
        Aos moralistas de plantão, aos “doutores da lei”, aos “escribas” e tantos outros, estou aberto ao diálogo.
       
SEM MEDO DE SER FELIZ

Professor Flávio Costa




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