Sei
que o assunto que dissertarei aqui tem sido motivo de muita polêmica. São
muitos os motivos elencados em discursos que, não raras vezes, justificam uma
condenação: aberração, imoralidade,
desvio de caráter, promiscuidade, etc.
Há muito, que a humanidade encara
a homossexualidade como um problema de vergonha social. Em algumas
análises mais ponderadas ou brandas se ajusta
como doença mental.
Sei, também,
que pagarei por ter a ousadia de revelar aquilo que penso. Alguns se afastarão
de mim. Correrei esse risco, pois, mesmo sabendo que não mudarei muitas
opiniões, sinto uma tremenda necessidade de expor alguns pensamentos, e,
parafraseando Jesus, lutar para que todos tenham a mesma possibilidade de vida
plena, com o máximo de liberdade para conduzí-la de acordo com suas próprias
escolhas.
Ressalto
que não tenho por intenção nem um tipo de
auto promoção. Estou, apenas, me deixando levar pela inspiração de luta
e coragem de personagens que se expuseram, arriscando suas vidas por
acreditarem num mundo mais justo e
igualitário:
· Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy,
assassinada em fevereiro de 2005, pois foi a voz dos mais empobrecidos na
Amazônia.
· Martin Luther King, Jr. (Atlanta, 15 de janeiro de 1929 — Memphis, 4 de abril de 1968) foi um pastor protestante e ativista político estadunidense, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo. Assassinado no dia quatro de abril de 1968, momentos antes de uma marcha
que havia programado pela luta dos direitos civis dos negros.
· Harvey Bernard Milk (Woodmere, 22 de maio de 1930 — São Francisco, 27 de novembro de 1978) foi
um político e ativista gay norte-americano. Foi o primeiro homem abertamente gay a ser eleito a um cargo público na Califórnia, como
supervisor da cidade de São Francisco. Assassinado em 27 de novembro de 1978.
· Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, (Xapuri, 15 de dezembro de 1944 — Xapuri, 22 de dezembro de 1988) foi
um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Sua atividade política visava a preservação da Floresta
Amazônica e lhe deu projeção mundial. Assassinado com tiros de escopeta no
peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía de casa para tomar banho, em
22 de dezembro de 1988.
· Jesus de Nazaré, que para os cristãos é Filho de Deus, morto por
ir contra ao império Romano e por parte de alguns judeus por pregar o amor, a
solidariedade, o fim da desigualdade social, entre outros.
Poderia seguir citando muitos outros, mas certamente
não caberiam todos aqui.
Retroagindo
um pouco mais na história, vale lembrar que a Igreja em nome de salvar o
“Projeto de Deus” mandou para a fogueira muitos daqueles que, por seu
julgamento, de alguma maneira não eram por “Ele” contemplados. Qualquer deslize
ou desvio de seus sagrados dogmas ou pregações, estavam sujeitos a purificações
em fogueiras santas e salvadoras, que aliviariam e purificariam a humanidade
perante o Senhor. No entanto, sabe-se
que tais medidas nem sempre couberam às suas santidades. Muito se
escondeu e se esconde, ainda, sobre os pecadores da Santa Igreja que vive
insistindo em pregações hipócritas e superficais, sempre negando a existência
do diferente quando se depara com ele. Até hoje é assim. Mas, não entrarei
nesse mérito para não fugir ao foco de minhas idéias.
É
justo acrescentar as históricas perseguições sofridas pelos negros, judeus,
doentes mentais, opositores políticos, etc. Não são poucos os fatos revelados
pela história em que pessoas foram submetidas ao poder e ganância de outras
pessoas. Em cada época, por algum motivo e, às vezes, por muito tempo, as
perseguições seguiram seu curso como sendo algo normal e perfeitamente
aceitável socialmente.
Todas
essas explanações têm por finalidade parabenizar os idealizadores e todos os
participantes do Ato promovido no centro da cidade de São Paulo, no dia 13 de
maio de 2012, e que, infelizmente, os meios midiáticos não divulgaram com tanta
intensidade como fazem em outros casos.
Um
grupo de mães enfrentou o frio da tarde do domingo paulistano, e trocou o
aconchego dos seus lares, no dia das mães, para engrossar a voz de quem
pretende denunciar um grave problema de violência, comumente abafado e ignorado
pelas autoridades, a HOMOFOBIA. Corajosamente, essas bravas mulheres promoveram
a antecipação de muitas outras ações realizadas no Dia Internacional contra a
Homofobia, comemorado em 17 de maio.
http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20120514084050&assunto=5&onde=Brasil
Segundo
dados da própria Policia Militar, os índices de agressões aos homossexuais têm
aumentado assustadoramente. Isso é explicado pelo comportamento tradicionalmente preconceituoso e machista de
nossa sociedade, na qual crianças do
sexo masculino são ensinadas que homens não choram e que as mulheres são
inferiores. Ao macho cabe jogar bola,
soltar pipas, ser grosseiro, “pegar”, ou “ficar” com todas as meninas que
aparecerem pela frente. É um discurso recorrente a popular frase: “Segurem suas
cabras, porque meus bodes estão soltos”. Entendo que nem sempre seja uma
atitude de caso pensado, muitas vezes o indivíduo se deixa levar por força de
antigos hábitos. No entanto, esse tipo de tendência, mesmo inconsciente, ajuda
a reforçar e divulgar muito pensamento
machista, que tem por princípio ser a mulher um objeto possível de ser possuído
e, portanto, sujeito a todo tipo de violência quando contraria essa condição.
Até bem pouco tempo, elas eram impedidas de votar e, hoje, ainda lutam por
igualdade de salários num mercado de trabalho que remunera melhor a mão de obra
masculina, mesmo ocupando funções semelhantes.
É preciso entender e aprender a lidar
com a diversidade própria da humanidade, as diferenças devem ser respeitadas,
se não pela bondade espiritual ou bom funcionamento da própria razão, que seja
por respeito às leis previstas em nossa Carta Magna, a Constituição da
República.
Criminalizar
a HOMOFOBIA, não significa
impedir o cidadão comum de ter sua opinião particular sobre o assunto, muito
menos querer obrigá-lo a aceitar essa ou aquela situação. Ao contrário, é
garantir que todos possam usufruir seus
direitos de escolha. Infelizmente, é a solução mais palpável na busca de uma
saída para a discriminação que sofrem os homossexuais. Não é justo que lhes
seja negada a mesma autonomia de opção sexual que possuem os heterossexuais.
Muito menos admitirmos que por causa disso sofram algum tipo de perseguição ou
punição, que vão de pressões psicológicas até o absurdo das agressões físicas,
muitas vezes fatais. Nenhum cidadão pode ser usurpado do maior direito que a
Humanidade tem: o DIREITO A VIDA.
Quem comete tais atrocidades
escolhe seguir o mesmo caminho daqueles que se acham no direito de perseguir
negros, nordestinos, índios ou o que lhes vier à mente doentia.
Há, ainda, os que se passam
por vendedores de falsos milagres, promovendo encenações perturbadoras onde
expulsam demônios surgidos estranhamente de algum desconhecido (pré) escolhido
aleatoriamente na multidão de fiéis. Assim, aliciam pessoas humildes e muito
carentes em suas ignorâncias, muitas vezes, tirando-lhes de maneira vergonhosa seu parco dinheirinho. Iludidos e
dominados, alguns acreditam mais do que devem e entregam mais do que possuem.
Esses enganadores, além de desenterrarem antigos rituais purificadores, aqui já
mencionados, ultrapassam os limites da decência e prometem, entre outras
coisas, curar ou recuperar do demônio qualquer alma homossexual perdida nas
trevas. Quanta insanidade!!!
Lidar
com a diversidade não é fácil, mas é o caminho para que nossa sociedade seja
igualitária, justa e solidária.
Enquanto
os Argentinos estão distribuindo cartilhas contra os preconceitos sofridos, nas
escolas, por adolescentes homossexuais, o Brasil fecha os olhos por causa das
bancadas evangélicas e católicas que impedem a sua distribuição.
Menos
preocupado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nos meios
de comunicação a sua posição pessoal a favor dos direitos homossexuais. Seria
importante que a presidente Dilma
Rousseff também tivesse essa coragem. Para muitas famílias, nem sempre bastam
apenas as “bolsas”.
Aos
moralistas de plantão, aos “doutores da lei”, aos “escribas” e tantos outros,
estou aberto ao diálogo.
Professor Flávio Costa

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