Na aurora da civilização do povo africano, como nos dias de hoje, o egbo (oferenda) é necessário para o equilíbrio do culto. Um exemplo que podemos analisar seria a respeito das oferendas aos rios Osun, Iyewa, Erinle, Oba, etc. que possuem o mesmo nome da divindade que é cultuada as margens do mesmo e Oya que é a divindade do rio Niger. Acreditava-se que ofertando ao espírito do rio, a pessoa ou a comunidade que fizesse morada as margens daquele rio, ficaria imune à cólera daquele espírito, evitando deste modo que o espírito do rio levasse embora seus filhos, ou que o rio deixasse de fertilizar o solo e prover o alimento do povo. Olookun na África é o Senhor dos Oceanos e Iyemoja sua filha é a divindade do rio Ogun, sendo que aqui no Brasil é por muitos considerada como a Rainha dos Mar. Nossa mãe é agraciada com oferendas nos meses de fevereiro e dezembro, dentre os presentes que ofertam a Iyemoja vemos perfumes, flores, pentes, sabonetes, champagnes, entre outros... Mas façamos uma pergunta a nós mesmos: É de bom grado à Iyemoja ver sua morada poluída com cacos de vidro, plásticos, pentes, e inúmeras outras coisas que posteriormente ao dia da festa se resume a várias montanhas de lixo que terminarão num aterro sanitário? Iyemanja é a própria água dos mares, pois segundo a lenda ela teria se fundido ao mar para se livrar de um tirano marido que a prendia, de seu ventre nasceu todos os peixes que nos serve de alimento. Poluindo o mar estamos desagradando a Iyemoja e a seus filhos peixes.
Orixá é natureza, natureza é Orixá, Osun é água doce, é gestação, é amor; Ogun é o metal, da enxada que ara a terra ao bisturí que é utilizado para minuciosas cirurgias; Osaniyn é a folha, a erva que é utilizada para banhos, remédios ou para industria de cosméticos; Odé está representado com nossos alimentos, aquele que dividiu seu coração para sanar a fome dos seus, é o mantenedor da providencia dos alimentos, é o poder que emana todos os dias naquele pai de família que sai as 5 horas da manhã, faça sol ou chuva para que não falte o alimento à sua família; poderia citar aqui o significado de todos os nossos Deuses Elementais da Natureza, mas creio que já dá pra ter idéia do meu objetivo, assim sendo, termino falando sobre, quem sabe, o mais injustiçado de nossos Orixás, Exu, o diabo para os evangélicos e católicos ignorantes no assunto, é nosso principal Orixá, aquele que é a boca dos Orixás, aquele que é as pernas dos Orixás, aquele que como seu mesmo nome diz (Esù = esfera) é o poder que faz com que prótons, elétrons e nêutrons se movimentem, aquele que é o gerador de nossas alegrias, aquele que foi criado por Oloorun – Oloodumare por sua necessidade de movimento, por sua necessidade de ambivalência entre os Deuses. Sendo parte integral da natureza e englobando em si o poder de todos os Orixás, é agradado com suas oferendas em encruzilhadas, de forma suja, que fica até feio aos olhos de quem por ali passa, passando alguns dias, também se transforma um entulho que ficará ali até que algum agente de limpeza passe e recolha.
Não estou aqui para ditar regras ou dizer o que é certo ou errado em cada culto, seja ele Umbanda ou Candomblé, mas quero sim, pedir para que os pais e filhos de santo se conscientizem que não estarão deixando os Orixás felizes maltratando a natureza. Cuide de uma planta ou árvore em sua casa e ame-a como ama seu Orixá. Não nos custa nada, ir despachar um egbo, uma comida de santo e recolher a sacola plástica, levar oferendas para exu sem deixar ali coisas que só servirão de lixo ou se assunto para as más línguas, jogar no lixo o plástico de velas de 7 dias, garrafas em esquinas, inteiras ou quebradas é muito feio e desagradável além de muito perigoso aos desatentos. São de pequenos gestos que passaremos a fazer jus a nossa religião.
André de Odé. (Revista Orixás)

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