A realidade das Escolas Públicas
Voltando hoje de uma consulta médica resolvi ligar o rádio e sintonizei na CBN, naquele exato momento, o jornalista esportivo Juca Kfouri estava falando com outra repórter, a temática em pauta tratava-se dos jogos do final de semana.
Segundo Kfouri, não é possível atribuir aos técnicos de futebol todas as responsabilidades pelo fracasso dos jogadores em campo, pois afinal de conta ele é um contra doze.
Ainda segundo mesmo, certas atitudes levado a ferro e fogo por jogadores, fogem do controle do técnico, portanto é injusto atribuir as responsabilidades ao treinador.
Usando esse mesmo discurso, resolvi discorrer a respeito da situação da Educação Brasileira, focarei em São Paulo, minha área de atuação.
Os dados externos apontam que não conseguimos atingir as metas previstas, os instrumentos avaliativos são vários, mas não citarei nenhum aqui, basta pesquisarmos, mas uma coisa sempre me chama atenção nessas pesquisas, à tendência maléfica de atribuir aos professores o mau desempenho dos alunos na aquisição da Leitura e da Escrita.
O professor sempre é utilizado com bode expiatório, para alguns eles devem ser “reciclados”, isso mesmo “reciclados”, como fazemos com os lixos, ou deveríamos fazer. Outros atribuem a má formação dos mestres, falta de interesse, faltas em excesso, enfim um conjunto de acusações, onde o professor é o Cristo sempre, por isso precisa ser crucificado, para responder a todas as mazelas educacionais. Assim como o técnico de futebol, citado acima.
Com esse discurso falacioso, tanto o governo, como algumas entidades, fogem de uma discussão bem mais ampla e complexa. Será mesmo o professor o único responsável pelo fracasso escolar dos alunos?
O que diz a Constituição da República?
O que tem feito os nossos governantes com a Educação Brasileira?
Distribuído livros, uniformes, leites, e em alguns casos transporte para as crianças que moram a uma certa distância da sua Unidade escolar?
O que o governo (estadual e municipal) esta fazendo para combater esse déficit de aprendizagem dos nossos alunos?
Responsabilizar o professor não é o caminho, ao contrário eu diria, atitudes como essa não contribui para a mudança nefasta que se encontra a Educação.
Por mais que os governantes não gostem, mais é preciso, faz se necessário repartir a culpabilidade desse fracasso.
Nesse bolo todos estão inseridos. Não se constrói uma Educação de qualidade se não levarmos a sério alguns princípios, entre eles destacaria:
Valorização dos profissionais em Educação. É inaceitável que o Secretário Municipal ou Estadual venha, ou utilizem meios de comunicação para dizer que os professores ganham bem! Isso é mentira, porque se assim o fosse não teriam duplas jornadas.
Um professor em inicio de carreira tem em seu contra cheque a quantia de R$ 1560,73, mais um complemento que não sei precisar o valor, por 30 horas semanais, se ele tiver quinquênio esse valor aumentará um pouco. Dados do SINPEEM, Sindicato dos Profissionais em educação no Ensino Municipal de São Paulo (http://www.sinpeem.com.br/home.php).
Porém, se fizermos uma análise mais profunda, esse (a) professor (a) ganho cerca de quatro salários mínimos. Dizer que isso é ganhar bem é inaceitável, pois estamos falando de PROFESSORES.
Os que ganham um pouco mais, estão no final de suas carreiras, é só ganham por causa dos quinquênios, evoluções, etc...Caso contrário, a situação seria drástica.
Um professor, responde por trinta crianças, ou mais. Vamos colocar nessa conta trinta mãe e pai.
O professor a cada gestão se vê refém de novas metodologias, é questionado o tempo todo, pois todos acham que são professores, porém desconhecem o que acontece dentro das salas de aula.
A proficiência leitora e escritora desenvolvida em sala de aula pelos professores com seus alunos vão além da alfabetização, pois uma vez apreendido espera-se que este aluno se comporte de forma diferenciada na sociedade letrada. Ou seja, sua função é importantíssima, não se limita, ao decifrar códigos.
É a educação para além da leitura.
É a educação para saúde pública, para preservação dos bens públicos, do viver socialmente, da geração de empregos, do respeito às diferenças, enfim Educar para o exercício pleno de uma cidadania consciente.
Agora, é preciso saber, nossos governantes querem isso?
Eu nunca vi ninguém ser acusado por se passar por professor, porém se o professor advogar sem ser advogado, ou medicar sem ser médico e assim por diante, é preso, ou instaurado inquérito por exercício ilegal da profissão.
Os professores estão doentes, convido, ou melhor, desafio a pesquisarem os motivos das faltas e das licenças médicas dos profissionais em educação.
Não quero responsabilizar os pais, pois como disse todos estão no bolo, mas muitos não se preocupam com a educação dos filhos.
Alguns, ou a sua maioria delega às escolas aquilo que é de responsabilidade deles, afinal de contas temos na Constituição da República, Código Civil, no Estatuto da Criança e do Adolescente, os artigos que atribuem à responsabilidade dos genitores, enfim todos sabem, mas fazem vista grossa.
Muitas escolas estão abandonadas, falta tudo.
O aluno não precisa só de material no inicio do ano letivo.
Os uniformes que são oferecidos, em alguns casos não servem nos alunos, e mais se quer pode-se cobrar que eles usem, pois há impeditivos legais condicionar sua presença em sala de aula ao uso do uniforme.
Utilizar avaliações externas para “bonificar”, os profissionais sem levar em condição as situações em que os mesmos enfrentam diariamente é um absurdo.
Não há linha de crédito para professor comprar aparelhos tecnológicos. Não há linha de crédito para provar comprar livros, há sim um desconto de 20% na aquisição de livros, fruto de um acordo com a Câmara Brasileira de Livros e com a Associação Nacional de livrarias, mas em alguns casos, o professor não consegue comprar mesmo com esse desconto, dado que Cultura nesse país é caríssimo.
Foi retirada das escolas a autonomia de fazer matrículas, e em muitos casos, salas de aulas são fechadas por exige-se um número mínimo, principalmente nos casos da Educação de Jovens e Adultos.
As formações dos profissionais devem ser contínuas, ir além das Jornadas Especiais, para aqueles que querem fazer mestrados, doutorados, bolsas de ensino devem ser oferecidas.
Não podemos fazer da reprovação uma máquina de exclusão de alunos, mas promover todos sem critérios é contribuir cada vez mais para uma sociedade desigual.
Pois se antes tínhamos analfabetos por não terem frequentado escolas, hoje temos analfabetos funcionais que estiveram ou estão nas escolas públicas.
Dizia-se que a reprovação era uma maneira de excluir os alunos, e a promoção automática é o que?
Agora, como falar em desenvolvimento e melhoria educacional com os problemas mencionados acima, e vejam é apenas uma ponta do iceberg, mas que já causa um estrago enorme.
Estou falando de São Paulo, capital, imagine os demais estados da Federação!
Isso é um desabafo!!!!! Prof. Flávio Costa
segunda-feira, 18 de março de 2013
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